"Meu desejo é um bicho de maus hábitos que me lambe a cara."
(Adrienne Myrtes, Eis o Mundo de Fora)
o abraço acaba o beijo
desgasta o orgasmo
é um momento
engula: minha alma com os olhos
primeiro seja meu amante metafísico
depois um espírito preso no emaranhado
concreto o lábio silvo o batom roxo a saliva
ponha-me: antes e dentro de onde
esteja o que de você ninguém vê
a quina onde o coração bate
o dedo do pé a mágoa
escoada pelo ralo
desliza: ziper tem som de afago
não demora o toque no ninho
é carinho é concha com as
mãos a sílaba pula pique
esconde a sílaba é só
um ah sem ar
separa: a embalagem a pelugem
a maquiagem a fuligem esse
pó sobre a mesa junta minha
mão sobre a sua e chega lá
cala: no silêncio
minha alma dialoga
amor com a sua faz
ciranda com esse seu
olhar que suga vísceras
quando quiser deixar deixa
quando quiser passar deixa
quando quiser amar deixa
o dedo do pé a mágoa
escoada pelo ralo
desliza: ziper tem som de afago
não demora o toque no ninho
é carinho é concha com as
mãos a sílaba pula pique
esconde a sílaba é só
um ah sem ar
separa: a embalagem a pelugem
a maquiagem a fuligem esse
pó sobre a mesa junta minha
mão sobre a sua e chega lá
cala: no silêncio
minha alma dialoga
amor com a sua faz
ciranda com esse seu
olhar que suga vísceras
quando quiser deixar deixa
quando quiser passar deixa
quando quiser amar deixa
quando quiser ficar deixa
quando quiser ir deixa
e quando eu quiser
deixar não deixe
quando quiser ir deixa
e quando eu quiser
deixar não deixe